Archive for April 2009

 
 

Recursos mínimos

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Projetos sem pretensões grandiosas, ou que lidam com o desmonte delas, tem me chamado atenção. Outro dia, uma amiga surgiu com a imagem de um vestido que vem com canetinhas coloridas e o tecido permite que se interfira nele. O slogan seria algo como: tenha sua própria estampa e cartela de cores. Da mesma fonte vinha a idéia de roupa-puzzle, com partes recombinadas segundo o gosto de cada um. Legal também. Mas o melhor veio de um livro do amigo Cao Guimarães, que nem mesmo se dedica à moda. Todas as imagens registradas pelo olhar atento dele são de gambiarras, estas improvisações nas quais, todos parecem concordar, nós os brasileiros somos mestres. Esta, aqui publicada em p&b, é particularmente boa.

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Antimoda é refresco

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É na mais absoluta ausência de recursos fashion que a atriz Melissa Leo constrói seu personagem no filme Rio Congelado. Sem make-up, de figurino barato, sujeita a tomadas com unhas mal feitas e pele avessa a cremes, ela compõe uma figura impressionante, imersa em uma existência dura e sem cor. O papel da mãe que transporta imigrantes ilegais na fronteira norte dos Estados Unidos lhe valeu muitos prêmios merecidamente.

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Eliot

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Guest of Cyndi Sherman

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Durante alguns anos Paul H-O levou adiante um projeto que envolvia se infiltrar e documentar a cena artística em Nova York. Com uma câmara na mão e babando sarcasmo ele tinha livre acesso aos vernissages que reuniam a nata da arte local. Ao longo deste tempo, conheceu e manteve um relacionamento amoroso com Cindy Sherman, artista sabidamente avessa á mídia, mas no topo da cadeia alimentar da jungle novaiorquina.  O resultado do atrito entre o diretor papparazzi de segunda divisão e a discrição extremada da artista estelar é um documentário sobre ansiedades e tensões no meio artístico, incluindo angústias masculinas, e questões de status em um ambiente cultural. Estreiou mês passado  sem data para chegar aqui.

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Morte das tendências?

mortedas

Tendências de moda tratam de apontar prováveis direcionamentos estilísticos que evoluem para, tendem para. Se no passado recente nos davam pistas confiáveis de onde iriam, agora parecem rebeladas, sem que haja algum mecanismo capaz de ordenar sua trajetória.

Afundou de vez a noção clássica de tendências, a que mantém um pacto com o progresso e determina usos coletivos, ou o ritmo frenético das transformações na moda está apenas forçando a uma revisão do assunto? A pergunta conduz a uma questão sobre tendências, que é a suposta morte delas.

Matar simbolicamente as tendências é um exercício saudável. É até gostoso dar umas pauladas em uma idéia que ficou associada à falta de personalidade e à pasteurização do gosto, agora que todos prezam pela liberdade de escolha, mas a questão não é assim tão simples.

Anunciar a morte das tendências é um recurso de efeito, porém não põe fim aos conflitos entre a necessidade industrial por estilos dominantes e a busca pela expressão singular através da moda.

Se as tendências formuladas no passado davam prioridade à técnica, à forma e ao material, como informação estratégica, e tratavam os sentidos abstratos como elementos adicionais, hoje a situação foi invertida. São as questões que rondam a vida contemporânea – ecologia, convivência, subjetividade, etc – agrupadas sob o termo “comportamento”, que oferecem o caldo básico da pesquisa. Tendências de moda, pelo menos as minimamente confiáveis, estimulam o pesquisador a percorrer outros campos de conhecimento. Tanto é verdade, que atualmente são os objetos de moda impregnados com sentidos decorrentes dessas interações, que detém as maiores chances de não dormir nas prateleiras.

Trecho de artigo publicado originalmente no usefashion journal – edição revista

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