Archive for June 2009
Buenos Aires – Fortabat

Segui

Brueghel
Amalia Lacroze de Fortabat é uma espécie de Peggy Guggenheim da Argentina. Mecenas, milionária, colecionadora e nome de uma instituição poderosa, soberbamente instalada ás margens do Rio da Prata, em Puerto Madero, região sofisticada da Buenos Aires revitalizada. Se as instalações são impecáveis, a Coleccion em si é um curioso recorte feito por alguém com poder suficiente para reunir as obras que queria, algumas excelentes e outras nem tanto. e instalar todas elas em condições geralmente reservadas apenas a obras primas. Boa parte do acervo é ditado por uma escala de valores determinada pelo contexto cultural local, outras simplesmente pelo gosto pessoal (é o que suponho). Um Turner magnífico, Brueghel, Rodin, e um retrato da própria Amalia Lacroze assinado por Warhol, dividem o espaço grandioso com trabalhos obscuros de artistas ainda mais obscuros. Na zona entre uma coisa e outra é que acontecem coisas interessantes. Como por exemplo me dar conta do pouco que conhecemos a produção argentina, seus pintores nascidos no fim do XIX e começo dos XX, que avançaram pela modernidade da arte em paralelo com as nossas Tarsilas e Anitas. Alguns deles dispensam o meu ou o seu reconhecimento pois já tem o do mundo, sem nem ao menos passar pela nossa soberba continental. Antonio Segui, Antonio Berni, Raúl Soldi, Xul Solar… Não é a melhor coleção disponível na cidade, mas vale a pena.
Yves Saint Laurent não foi à África

Ele não viajava, e ainda assim fez o melhor que a moda já pôde fazer, incorporando o repertório visual imenso do continente africano. A exposição Viagens Extraordinárias, curada pela fundação do companheiro de vida Saint Laurent, Pierre Bergé, em cartaz no Centro Cultural do Banco do Brasil, de 26 de maio a 19 de julho, no Rio de Janeiro, réune mais de 50 looks de alta costura. Eles estão divididos pela fonte de pesquisa e inspiração: Ásia, Marrocos, Índia, Rússia, Espanha, e, para tirar o fôlego, toda uma coleção caucada na boa e velha África. A estonteante fusão do decor africano, conforme imaginado por YSL , e os shapes geométricos e curtos dos anos 60, é explosiva. E é de fazer estilista que planeje desenhar coleção com referência semelhante pensar duas , três, quatro, cinco vezes antes.
Pintura em estado puro

No final do mês de junho, dia 25, a galeria Nara Roesler, em SP, abre mostra da pintora Patricia Leite. No período da última Bienal paulista ela atraiu atenções com apenas dois trabalhos expostos na Paralela. Agora é hora de ver, em conjunto, a potência dessa pintura que reafirma a vitalidade do gênero, sempre dado como morto e mais vivo que nunca. Além de recorrer a uma técnica milenar, Patricia adotou a paisagem. O que podia ser um duplo anacronismo, desconcerta pela capacidade de tocar a percepção contemporânea. No site da galeria tem mais.



