Archive for February 2010

 
 

Baisers Volés

Em 1968, com as agitações estudantis ecoando ao longe na narrativa, Antoine Doinel foi dispensado do quartel por indisciplina. Da sala do seu comandante ele vai direto para um bordel e emenda o percurso batendo na porta da casa da namorada Christine, que não vê ha seis meses. Daí por diante ele é despedido de um emprego atrás do outro e se movimenta com a habitual graça e apetite pela vida que o ator Jean Pierre Leaud imprimiu ao personagem, em cinco filmes do diretor François Truffaut . Beijos Roubados é delicado, ágil, um retrato poético e bem humorado da passagem da adolescência para a vida adulta.  Ontem foi a quinta vez que vi o filme, e ele parecia fresco e convincente como em todas as outras.

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Pesquisa é isso aí

Se a tendência é militar, melhor é ir fundo no assunto. Uma rede de interessados alimenta sites variados com o que é necessário saber sobre o tema. Tudo que estamos vendo passar de um lado para o outro da passarela da hora tem um correspondente lá.

Entre vários tópicos interessantes, estas composições de looks completos são particularmente poderosas. Confira o balanceamento de cores, texturas, e as bem acertadas proporções dos acessórios.

Boa parte do apelo desta onda vem da funcionalidade, que dá substância e pertinência ao estilo. Roupas e objetos foram concebidos para situações extremas e quem adota o pacote completo é porque não pode ficar na mão. Daí até à correpondência com a sobrevivência nas grandes cidades é um pulo. Só não se esqueça de deixar fora da lista as armas e o ódio no coração. As imagens são de uniformes da Segunda Guerra. Muita gente competente trabalhou com eles na época, o Hugo Boss inclusive.

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Munny

O Munny é um toy art minúsculo e todo mundo quer customizar o seu. O Marcus Tremonto é um designer que trabalha a luz com excelentes resultados. O encontro deles rendeu estes abusados exemplares.

Os Munnys do Tremonto vomitam, perdem os bracinhos e fazem xixi em público, e tudo isso muito bem iluminado.

Estes são numerados e vendidos na Kidrobot, a principal marca de design e varejo de toy art de edição limitada. www.kidrobot.com

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Em algum lugar do passado

A Aesop é uma marca australiana de produtos  para cabelo, pele e corpo que só usa ingredientes botânicos  e já nasceu sob o signo da onda ambientalista. O projeto da loja aberta recentemente em Singapura conta com 30 km de fibra de coco dependuradas no teto. Combinada às tonalidades claras e aveludadas do ambiente, as fibras ajudam a criar um efeito despretensioso, confiável e aconchegante, colado na identidade da marca.

A luminária de prancheta de metal, ganhou esta cara nova com o uso da madeira. O studio Rooms assina este projeto de fina execução, que reembala um desenho clássico com o apelo vintage-afetivo-ambientalista do novo/velho material.

Este é um telescópio com todas as vantagens que a ótica moderna pode oferecer, ainda que não pareça e esta ilusão, que poderia ser depreciativa no passado recente, hoje seja vantagem. Outra vez é a madeira que desempenha este papel de antídoto contra uma possível frieza tecnológica e esquenta a relação com o objeto, que tem as mesmas medidas do que foi criado pelo Galileu. No caso, vale dizer que o do Galileu também era de madeira e este é uma recriação nos mesmos moldes em homenagem aos 400 anos do original. É do Odoardo Fioravante e foi desenvolvido para Palomar-AYL.

Aqui e ali e cada vez em maior número surgem exemplos como este. Eles deixam de lado qualquer pátina tecnológica futurista para adotar outra, ancorada em aspectos e técnicas que apelam para a natureza e para a eficácia de soluções do passado.  Como em todas as áreas em que as aparências contam, há vários níveis de adoção desta tendência. Há casos em que as medidas são efetivas, e soluções simples e varridas para fora dos interesses comerciais são recuperadas em boa hora. Noutros, a onda bate mesmo só na superfície, ou invoca a nostalgia, que nunca é muito consistente, mas é interessante ver como a coisa se desdobra e impacta a arquitetura e o design em várias áreas. As imagens são da Aesop e da Rooms, a do telescópio é da Emanuele Zamponi e todas elas são downloads do yatzer.com 

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Woodstock de ressaca

Prestes a assistir a versão intimista do cineasta Ang Lee sobre Woodstock, nos deparamos com estas imagens do Henry Diltz, o fotógafo que é uma espécie de historiador visual do período e da cena musical que viria a seguir.

The dream is over,  e era hora de limpar a bagunça. Sem compromisso com apologias, Diltz foi lá e registrou.

Não é para ser pessimista, mas um pouco de realismo não faz mal a ninguém. Imagens: Henry Diltz, Morrison Hotel Gallery.

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