TUDO O QUE ROLOU NA DEMO² — SEGUNDO DIA

Desfile Senplo. (Foto: Miguel Soll)

O segundo dia da DEMO², no Instituto Ling, em Porto Alegre, iniciou com o Workshop de Alice Floriano, “Amuletos para o Futuro”, propiciando um mergulho intenso na interação dos objetos com a subjetividade e com as indagações sobre o papel da joalheria contemporânea.

No hall de passagem do Ling, às 15h, o primeiro desfile do dia ficou a cargo da Senplo. Em clima de fim de tarde, a marca, que vem colecionando bons momentos em 2017 – vide prêmio GQ+Reserva e desfile elogiado na Casa de Criadores – fez apresentação elegante e precisa contra a arquitetura do Ling. O verão Senplo é todo em preto, mas a sobriedade da cartela é largamente equilibrada pelas formas amplas e confortáveis e pelos tecidos leves. O ponto alto são as silhuetas. É estimulante ver como a Senplo redesenha o corpo com sutileza e perfeito domínio da forma.

Desfile Senplo. (Foto: Miguel Soll)
Rafael Schneider, da Senplo, ao final do desfile. (Foto: Miguel Soll)

Quem ajudou a responder a pergunta “O Futuro da Moda é Sustentável?” foi Agustina Comas, da Comas, SP, e Itiana Pasetti, da Revoada, RS. O bate-papo foi mediado por Cacá Camargo, representante do movimento Fashion Revolution. A viabilidade real de uma moda ecológica e a escalada ameaçadora da roupa commoditie atravessaram a conversa.

Ainda durante a tarde, ocorreram mais dois workshops, um ministrado pelo Gabriel Vanoni, da Pandorga, outro pelo Evilásio Miranda. Duas conversas levaram o público a se acomodar na bela escadaria do Ling para assistir e participar, uma sobre tecnologia com Gabriela Rizzo e Patricia Parenza, mediada pelo Vinicius Dambros, e ainda outra com presença da Paula Bohrer, arquiteta e curadora que tem desenvolvido ações na cidade de Porto Alegre.

No finalzinho do dia, o lançamento do livro “Alfaiatarias” de Eduardo Motta, publicado pela Editora Senac CE, teve a presença do autor e do alfaiate uruguaio Maurício Placeres, radicado em Porto Alegre, em conversa mediada pela jornalista de moda Patrícia Pontalti. Placeres é um dos entrevistados do livro. A discussão partiu do eixo tradição e futuro para debater os rumos e o papel do alfaiataria na contemporaneidade.

Eduardo Motta, Patrícia Pontalti e Maurício Placeres. (Foto: Radar)

A esta altura, enquanto o movimento se intensificava na Mostra Comercial, uma enorme fila se formava para ver a Oh Studio, da Cibeli Silva, em desfile/espetáculo realizado no palco do auditório do Instituto. O que começou com delicadas imagens de ondas do mar, ao som de John Cage, culminou em apresentação dramática, com 20 integrantes, entre modelos e performers em cena. A lingerie particular da marca ganhou reforço de peças de alfaiataria, adereços de cabeça e acessórios de couro. O climão no teatrinho contagiou a platéia. Sem dúvida as imagens vão marcar essa edição da DEMO.

Desfile Oh Studio. (Foto: Fernando Piccoli)
. Patrick Rigon e Gabriel Palma, desfile Oh Studio. (Fernando Piccoli)

O encerramento ficou nas mãos da Nuz, marca gaúcha que realiza um notável trabalho  de design de roupas criando peças multifuncionais. Explorando a arquitetura do Instituto e usando apenas cinco performers, a Nuz provocou a plateia com efeitos de luz e sombra e movimentos, ora crispados ora delicados, em coreografia destinada a apresentar as várias possibilidades da roupa desenhada pela Duda Cambeses.

Muita gente passou pela segunda edição da DEMO.

E durante dois dias, com programação oportuna e provocativa, a DEMO² não vai apenas deixar saudades, deixa imagens fortes e muitos gatilhos para reflexões.

Entre elas aquelas lançadas no manifesto dos organizadores:

“O Brasil se acha periférico em relação ao resto do mundo. Brasileiros de outros estados se acham periféricos em relação a São Paulo. Quem vive em São José dos Ausentes provavelmente se acha periférico em relação a Porto Alegre. E é por aí que a autoestima e as oportunidades escorrem pelo ralo. Parte do que determina este tipo de sentimento é geográfico, é cultural e é real. Para alguns lugares convergem muitas estradas, as rotas de voos, o dinheiro, as pessoas e os eventos mais interessantes. Os fluxos virtuais parecem seguir o mesmo caminho e o até o sinal de internet “lá” é melhor. Outro tanto não tem nada a ver com isso. Tem a ver com passividade. Dizemos não a essa maneira de agir e pensar. Desautorizamos a noção de que os fluxos culturais e de negócios que importam conduzem a outros lugares e entregamos à cidade a segunda edição da DEMO – Design e Moda com mais de 30 atrações de qualidade. Todas em diálogo com as formas de ver, sentir, pensar e formatar negócios neste tempo em que vivemos.”

Em 2018 tem mais!