Art Basel Miami tem guinada política

Dia 10 de dezembro encerrou-se a décima sexta edição da Miami Art Basel,já consolidado como um dos maiores eventos de arte do planeta, no caso específico, como a maior feira de artes. A feira é uma enormidade. Fiz um resumo do que pude verificar em dois dias de visitação. Ela abriga mais de 250 galerias de todo o mundo e recebe cerca de 80 mil visitantes por ano.

A edição de Miami segue os passos da matriz em Basel, na Suíça. Uma outra edição acontece em Hong Kong.

Muito embora o propósito seja francamente comercial, a feira, a exemplo de outras, se converteu em um ponto de visualização das tendências não apenas do mercado, mas do cenário das artes, como explica Noah Horowitz, diretora do Art Basel.

Essa edição, acentuadamente politizada, distanciou a feira de uma imagem associada ao glamour das praias de Miami. Pode-se dizer que este processo, teve início em 2016, quando a Art Basel foi o primeiro grande evento de arte ocorrido após a eleição de Donald Trump. Exemplos disso são trabalhos de artistas como David Driskell e Glenn Kaino. A redescoberta de artistas feministas do século 20 também confirma a tendência por uma maior densidade política, caso das obras de Letícia Parente, levadas à feira pela galeria paulistana Jaqueline Martins e que recebeu destaque em artigo do New York Times (https://www.nytimes.com/2017/12/07/arts/design/art-basel-miami-beach-review.html).

Além dos temas ligados a questões raciais e de direito civis, há também a questão do clima e a da sustentabilidade. Talvez a obra mais expressiva dessa edição da Art Basel seja a instalação de Lars Jan chamada “Slow Moving Luminaries” (https://www.youtube.com/watch?v=Ooy0p0eJOq8)

Outro fato interessante nesta edição é o aumento da participação de galerias latino-americanas, com algumas estreantes, como a Galería Isla Flotante de Buenos Aires, e a Ricardo Camargo, de São Paulo. A crescente participação dos latinos americanos é um reafirma a consolidação de polos de arte na região, como São Paulo, Buenos Aires e Cidade do México.  Isso ocorre em paralelo com protagonismo de museus como o Malba (Buenos Aires), Mali (Lima), Museu Jumex (Cidade do México) e a renovação do MASP SP.

Como afirma Gabriel Pérez-Barreiro, diretor da Coleção Patrícia Phelps de Cisneros (Caracas), não há nenhuma galeria importante que não possua ao menos alguma obra de um artista latino-americano.

Em paralelo ao Art Basel, ocorrem feiras Satélite, como a Art Miami, Nada, Pinta, Untitled, Ink, Pulse, Satellite e Scope. O grande afluxo de público interessado arte termina por movimentar também os museus locais. A feira realmente movimenta a cidade.

E para quem acha que Miami é um balneário tropical que oferece apenas praias, baladas e shoppings, é mais que hora de reavaliar esta visão.

Fotos por Fernanda Daudt.