Senac/SP
Projeto e formatação de conteúdos de pós-graduação.
Pós-graduação em Design de Moda – Estratégias para criação.
Concepção
O setor da moda sofreu profundas mudanças, principalmente a partir da década de 1950. Com a ascensão e a consolidação do sistema prêt-à-porter e o surgimento do “estilista industrial” – profissional que vai conferir design e estilo à roupa produzida em série nas confecções industriais – várias de suas lógicas de funcionamento são alteradas em conjunto com mudanças generalizadas. Os focos de referências criativas de estilo e moda se multiplicaram e se diversificaram pautados pelos lançamentos dos criadores e amarrados ao conceito de “estilo de vida”, agindo em conjunção com a gradual consolidação dos paradigmas de uma sociedade midiatizada e profundamente amparada na produção e consumo da imagem.
No Brasil, ao longo deste processo, a generalização do acesso à informação igualou as chances entre os competidores na área de criação de produtos. Este fenômeno solapou o mecanismo de cópia ou referencia em produtos criados fora do país, que alimentava os sistemas comerciais e produtivos locais, e que perdurou com potência até os anos 1990. A este quadro, somou-se a expansão dos cursos na área de moda, acelerando o processo de amadurecimento do setor, e apontando novos procedimentos para os processos criativos.
As ofertas de ensino não apenas foram adaptadas às novas circunstâncias como ajudaram a moldá-las. Elas favoreceram a transformação cultural, que definiu um novo contexto de atuação e outro perfil do profissional de criação, capaz de referenciar e explorar disciplinas diferentes na construção de linguagens particulares.
No entanto, apesar da significativa oferta de cursos de formação em criação de moda, as exigências que incidem sobre este novo profissional avolumaram-se ao longo da última década de maneira sem precedentes. Em parte como resultado da maturação da moda brasileira, em parte em função da complexidade e riqueza do papel da moda no cenário cultural contemporâneo e ainda devido às consideráveis oportunidades de mercado abertas para a economia como um todo.
Após a abertura do mercado no princípio dos anos 1990, uma verdadeira revolução aconteceu particularmente no Brasil. Expostas à competição internacional, as empresas[1] estabelecidas no país revelaram fragilidades antes ocultas. Empresários do setor tiveram de se capacitar em várias áreas antes relegadas ao segundo plano e revelar agilidade suficiente para acompanhar o ritmo frenético das mudanças, notadamente com a entrada no varejo nacional de marcas estrangeiras, confeccionistas e redes mundiais de lojas com enorme potencial competitivo.
Neste cenário, é possível visualizar uma dilatação do sistema da moda nos diversos sentidos de suas relações, vetores, campos de ação e repertórios criativos. Assim, modificada em suas lógicas de funcionamento, pode-se dizer que a atuação criativa está no centro dos interesses do mercado e o aperfeiçoamento na aplicação dos seus resultados preserva sua potência e garante sua eficácia. É um fator decisivo em um quadro no qual grande parte dos responsáveis pela gestão das atividades, empresários, industriais e gerentes, não passaram pelo processo de educação formal na área. A atuação do egresso dos cursos de formação em áreas criativas e dos indivíduos com talento criativo que migram de outras, entra em choque com a cultura compartilhada nestes ambientes, geralmente definida por aspectos estritamente técnicos e produtivos, e faltam recursos de ambos os lados para suprir esta deficiência.
Se é oportuno oferecer um conjunto de disciplinas que aprofundem o contato com os vários campos de conhecimento que amparam o exercício criativo na área de moda na atualidade, é recomendável confrontar experiências criativas com a vivência de profissionais envolvidos em sua transposição para sistemas comerciais e produtivos realistas. Alimentar as fontes que abastecem a criação com novos conhecimentos, oferecer maneiras de sincronizar processos criativos com sistemas comerciais e produtivos são características necessárias para um curso que aborde e exercite a criatividade, delineando-se como diferenciais significativos em relação às ofertas de cursos de pós-graduação na área.
