Jose Antonio Suarez

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A obra em pequena escala do artista é concebida em voz baixa, com dedicação enciclopédica e rara densidade poética. Deve ser apreciada sem o menor vestígio de arrogância intelectual. A vontade de compartilhar em um post a experiência que ela proporciona  já nasce comprometida pela inadequação. Os diminutos desenhos são para ser visto em conjunto, de perto, e com tempo disponível. Na Bienal do Mercosul tem um bom número deles, em quantidade suficiente para ver como opera este artista excepcional. Diariamente ele registra experiências e impressões com um olhar tão aberto e interessado para todas as coisas que mesmo as menores delas se tornam grandiosamente significativas. Que ele desenhe muito bem é só um dado técnico, que ele desenhe muito bem de todas as mil formas que inventa é bem mais que isso. É como se cada objeto de seu interesse exigisse uma maneira própria de ser abordada.

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Imagens: Montagem com vários desenhos reunidos. Os desenhos são vistos em mesas como esta.

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Uma das melhores mostras da Bienal do Mercosul chama-se Desenho das Idéias e está no Margs, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, que fica bem no centro de Porto Alegre. Logo na entrada um grande trabalho do Iran do Espirito Santo oferece uma potente experiência ilusionista, e aparece pronto e em construção acima, ladeado por obras dos anos 70 do Cildo Meireles. Na outra imagem, é o próprio Cildo que está montando um dos seus trabalhos.

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Curada pela Victoria Noorthoorn, a exposição tem o cuidado de estabelecer paralelos entre a produção de argentinos e brasileiros, relação que padece de endêmica falta de esforço por parte da inteligência local e parece desafiar a de lá. Esta linha da curadoria é sublinhada nas salas em que ela aproxima Paulo Bruscky e Edgar Antonio Vigo, em recortes da safra dos anos 70, época em que ambos os artistas viviam sob ditaduras militares em seus respectivos países; e faz o mesmo com o carioca Milton Machado e a Marta Minujin de Buenos Aires. Os dois trabalhos acima são do Paulo Bruscky e não estão no Margs.

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De cima para baixo, as tres imagens são de obras recentes do chinês radicado em Nova York Yun Fei Ji, do uruguaio Ricardo Lanzarini e do mexicano Abrahan Cruzvillegas. As imagens são Cristiano Sant´Anna e do Eduardo Seidl, da Indicefoto.

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Buenos Aires – Fortabat

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Segui

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Brueghel

Amalia Lacroze de Fortabat é uma espécie de Peggy Guggenheim da Argentina. Mecenas, milionária, colecionadora e nome de uma instituição poderosa, soberbamente instalada ás margens do Rio da Prata, em Puerto Madero, região sofisticada da Buenos Aires revitalizada. Se as instalações são impecáveis, a Coleccion em si é um curioso recorte feito por alguém com poder suficiente para reunir as obras que queria, algumas excelentes e outras nem tanto. e instalar todas elas em condições geralmente reservadas apenas a obras primas. Boa parte do acervo é ditado por uma escala de valores determinada pelo contexto cultural local, outras simplesmente pelo gosto pessoal (é o que suponho). Um Turner magnífico,  Brueghel, Rodin, e um retrato da própria Amalia Lacroze assinado por Warhol, dividem o espaço grandioso com trabalhos obscuros de artistas ainda mais obscuros. Na zona entre uma coisa e outra é que acontecem coisas interessantes. Como por exemplo me dar conta do pouco que conhecemos a produção argentina, seus pintores nascidos no fim do XIX e começo dos XX, que avançaram pela modernidade da arte em paralelo com  as nossas  Tarsilas e Anitas. Alguns deles dispensam o meu ou o seu reconhecimento pois já tem o do mundo, sem nem ao menos passar pela nossa soberba continental. Antonio Segui, Antonio Berni, Raúl Soldi, Xul Solar… Não é a melhor coleção disponível na cidade, mas vale a pena.

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