A anarquitetura do Gordon Matta-Clark

A obra do norte-americano e filho de chileno Gordon Matta-Clarck, em cartaz no MAM, em São Paulo, é uma pancada. A visceralidade é dele, assim como foi do Oiticica no Brasil, mas é também de uma época. Enquanto pintamos os anos 70 de psicodelia e flores, ele invadia prédios, cortava e extraia pedaços inteiros deles.

Estes ocos metafóricos, radicais a ponto de jogar o artista no limbo dos anos 80 e 90, hoje lhe concedem um lugar especial na história da arte contemporânea.  Certa vez, com um rifle, Matta-Clarck atirou em todas as janelas de um edifício em Nova York. Em outra usou o dinheiro de uma bolsa para financiar um projeto de invasão de uma construção. Fez nela cortes em grande escala e passou a organizar visitações noturnas dentro da mais absoluta ilegalidade. A ousadia rendeu-lhe processos e uma temporada de molho na Europa. 

Ele também já dividiu casas inteiras ao meio e liderou um boicote à Bienal de São Paulo em plena ditadura brasileira. Esta arte de guerrilha, que literalmente atravessava o grid urbano, sem dar a mínima para as convenções dos espaços delimitados pela arquitetura (e para tantas outras) fala de um tempo em que se batia de frente, recusava-se a inclusão nos sistemas, fossem eles quais fossem, e particularmente o da arte. Também é um testemunho de um tempo em que se registrava com precariedade.

A obra dele sobrevive dispersa, em fotos e registros audiovisuais fragmentados. Mas, ainda que o olhar formado nestas últimas décadas reclame de tanta poverice, se toda a economia de recursos migrou para a potência das idéias e da realização, como valeu a pena! Matta-Clark é destes artistas seminais, pôs em cheque a vida nas grandes cidades, enveredou pela gastronomia, e já se orientava por uma visão globalizada e avessa a fronteiras, que o levou a realizar intervenções em várias partes do mundo. Esta logo acima ele realizou em Paris, em um prédio em ruínas que ladeava o Georges Pompidou, na época ainda em construção.

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Jean Vigo

 

Sábado passado, saturado de matar o tempo com avatares e detetives truculentos fui em busca de um antídoto. Comprei o Jean Vigo completo, o que significam apenas 4 filmes incluindo o irreparável Zero de Conduta.

Além dele, a caixa traz o A Propósito de Nice, documentário ácido e poético sobre o balneário francês, 

o Atalante, talvez uma das melhores abordagens sobre relacionamento amoroso que o cinema já fêz, (o casal na proa te lembra alguma coisa?)

e Taris ou a Natação, documentário com tomadas elegantes e fora do padrão até hoje, que o diretor realizou sobre um nadador francês. 

Todos eles foram realizados entre 1930 e 34, quando Vigo morreu aos 29 anos. Apesar da carreira curta e dos poucos filmes, não é difícil ver que ele deu o norte para o melhor do cinema francês e mundial.

O grande teórico do cinema do Jean Vigo é o crítico brasileiro Paulo Emílio  Sales Gomes e os textos dele sobre o diretor acabam de ser republicados na íntegra pela Cosac Naify. Veja reação do François Truffaut quando leu este material:

“Passou por minhas mãos o manuscrito do mais belo livro de cinema que já li. Trata-se de um livro monumental sobre Jean Vigo, sua vida, sua obra.” François Truffaut, Cahiers du Cinéma, 1954.

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Exclusivo!

A Morte acerta no figurino, não assusta ninguém e declara que decisão de vestir Herchcovitch na São Paulo Fashion Week “foi um erro”. Imagem: SPFW

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Fashion Rio Olympics

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De 08 a 13 de janeiro acontece a segunda edição do Fashion Rio sob direção do Paulo Borges. Mais uma vez os desfiles acontecem no Pier Mauá, reforçando o  alinhamento da semana de moda carioca com a revitalização do centro da cidade. O espírito olímpico é o mote, antecipando as Olimpíadas de 2016. Para encorpar o line up foi divulgada a presença de 06 novas marcas: Andrea Marques, Nica Kessler, New Order, Patachou, Lucas Nascimento.

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Bienal do Mercosul 3

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Uma das melhores mostras da Bienal do Mercosul chama-se Desenho das Idéias e está no Margs, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, que fica bem no centro de Porto Alegre. Logo na entrada um grande trabalho do Iran do Espirito Santo oferece uma potente experiência ilusionista, e aparece pronto e em construção acima, ladeado por obras dos anos 70 do Cildo Meireles. Na outra imagem, é o próprio Cildo que está montando um dos seus trabalhos.

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Curada pela Victoria Noorthoorn, a exposição tem o cuidado de estabelecer paralelos entre a produção de argentinos e brasileiros, relação que padece de endêmica falta de esforço por parte da inteligência local e parece desafiar a de lá. Esta linha da curadoria é sublinhada nas salas em que ela aproxima Paulo Bruscky e Edgar Antonio Vigo, em recortes da safra dos anos 70, época em que ambos os artistas viviam sob ditaduras militares em seus respectivos países; e faz o mesmo com o carioca Milton Machado e a Marta Minujin de Buenos Aires. Os dois trabalhos acima são do Paulo Bruscky e não estão no Margs.

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De cima para baixo, as tres imagens são de obras recentes do chinês radicado em Nova York Yun Fei Ji, do uruguaio Ricardo Lanzarini e do mexicano Abrahan Cruzvillegas. As imagens são Cristiano Sant´Anna e do Eduardo Seidl, da Indicefoto.

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