Heritage

Gucci, Prada, Chanel, Dior, Hermés, Louis Vuitton. Estas e outras marcas do mesmo quilate se voltaram para a própria história e passaram a vender o passado como o melhor a ser consumido no presente.

Isto pode se traduzir na reedição de clássicos da casa, que é o mais usual. A Dior está reeditando perfumes históricos, a Vuitton faz o mesmo com bolsas centenárias, por exemplo, e também toma outras formas. É quando o marketing  passa a bater no refrão dos anos de existência, da qualidade e da confiabilidade apuradas com o tempo, e por aí vai. Não é difícil entender que este é um dos sintomas da crise econômica que incomoda a Europa. Valores estáveis afinal de contas pesam mesmo na decisão de compra em hora incerta.

Entretanto, não é o quê ou o como o mais substancioso nesta situação. Estes são aspectos supervalorizados em abordagens que se concentram apenas nas estratégias imediatas de mercado. O que é para ser notado é o fato de que estas marcas podem de fato recorrer a estes argumentos e ações. Elas estão aí há muitas décadas, e além de gerarem experiências e riqueza, quase todas de uma forma ou outra investiram e investem tanto na construção da marca como  em outras áreas.

É o caso da Prada que atrela nome e capital á cultura contemporânea, ou da Gucci que planeja um grande museu, ou da Armani que nem é tão velha assim e patrocina mega exposições, e de tantas outras comprometidas em projetos ambientais. Ao longo dos seus magros ou gordos anos elas se engajaram em alguma causa, promoveram outras e agora significam algo além dos objetos que vendem. É verdade, gastaram muito dinheiro com isso. Mas foi com esta grana que parecia sem retorno que elas construíram o que hoje mantém a casa em pé. Toda vez que o mundo ameaça desabar, a heritage volta a falar grosso. Imagens: duas lustrações do Rene Gruau para a Dior, logo da Prada e malas centenárias em catálogo antigo da Vuitton, cartaz da Fundação Cartier, em Paris, criada e mantida pela marca de relógios e jóias e dedicada a abrigar arte contemporânea.

Post to Twitter

O livrão da Prada

01-blog-prada-livro

Uma das coisas que o livrão lançado pela Prada deixa ainda mais nítida é o cinema como paixão e fonte de pesquisa para Miuccia. Ela paga tributo aos filmes de Truffault, às heroínas ambíguas da década de 50, ao Blade Runner dos 80,  e ao terror atemporal do Iluminado de Stanley Kubrick. Quem se aventurar a procurar referências vai achar muitas mais.

02-prada-book-2

 O livro pesa muitos quilos, tem 700 páginas e custa 100 euros no prada.com. A documentação é extensa, consistente e não vai decepcionar quem gosta e quem não gosta da Prada. Para estes, resta um precioso material sobre o que significa e envolve construir uma  marca no ambiente da moda nas últimas décadas. Coisa que a Prada soube fazer como ninguém e o livro mostra em toda sua extensão, por dentro dos processos da empresa e na sua projeção pública. A retrospectiva, que envolve desfiles, campanhas, as parcerias com arquitetos, e as investidas no campo da arte, não é a única razão de ser da publicação, que anuncia ainda o projeto de construção de um museu em Milão assinado pelo Rem Koolhaas.

Post to Twitter

Pompidou cai na estrada

CentrePompidouO Centro Cultural Pompidou, que é indissociável da concepção arquitetônica do prédio em que está abrigado em Paris, prepara uma incursão temerária em um projeto móvel, assinado pelo arquiteto francês Patrick Bouchain. A idéia é levar arte aonde ela não chega, na França hoje imersa em grandes contrastes sociais e culturais. Estão na mira as regiões rurais afastadas e os subúrbios empobrecidos das grandes cidades do país. 

prada-transformer-rem-koolh

A palavra temerária entrou no texto levando em conta a incursão duvidosa do Rem Koolhaas com a Fundação Prada, envolvidos neste projeto de espaço expositivo transformer da imagem acima, inaugurado este ano em Seul. Apesar do barulho e das assinaturas famosas, o resultado não arrebatou nem crítica nem público. É mesmo complicado dar solução satisfatória para a ambição de criar espaços mutantes.

NantesLieuUBou

tour1

A diferença a favor é que o Bouchain tem experiência no assunto. Entre suas práticas radicais está a de erguer uma construção provisória no local do projeto, colocá-la em uso e observar como a coisa funciona antes de torná-la definitiva. As imagens são de um centro cultural em Nantes, o Lieu Unique,  assinado por Bouchain. Uma adaptação audaciosa de um prédio já existente .

Post to Twitter

Mesh

 

mesh2-blog

O mesh é um tecido que é uma rede de trama bem aberta, e são os espaços vazados que lhe valeram a nomenclatura. Tanto é que ela vale também para redes virtuais. Pois este tecido de segundo escalão na roupa casual, e algum status na esportiva, é a estrela da moda masculina do verão europeu. Em Paris e Milão, de Prada a Givenchy e Dior, só deu ele. Trata-se de mais um destes alinhamentos fashion assombrosos, que levam todos de roldão a fazer uma mesma coisa simultâneamente.

Post to Twitter

Prada Verão 2009

prada

Posted in annafrostdailyfashion.com

Post to Twitter