Maria Bonita & Jil Sander

À esquerda, vestido da Maria Bonita na São Paulo Fashion Week, em janeiro. À direita, vestido da Jil Sander, desfilado em Paris agora em março. Fotos: Coutorture e divulgação SPFW.

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Maria Bonita na SPFW

Sensualidade em baixa voltagem e formalismo poético nessa coleção de vestidos, macacões, calças e paletós, sempre afastados do corpo e correndo por fora de tendências da hora. No desfile no Sesc Pompéia, a Maria Bonita partiu das obras da arquiteta Lina Bo Bardi, autora de prédios que revolucionaram a arquitetura pública no Brasil (o do Sesc é um deles) e se deu muito bem. O gosto por formas limpas, que é próprio da marca, encontrou uma fonte adequada de referência, traduzida em coleção rigorosa e inteligente. A silhueta é rígida em alguns pontos e fluida em outros, trafegando entre a forma natural e a construída. Imagens: divulgação SPFW.

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Herchcovitch para homens na SPFW

A Morte ronda a Moda e o Alexandre Herchcovitch, que nunca foi de osteoporose criativa, soltou as caveiras na passarela para mostrar coleção bem estruturada. A mera visão daqueles dentes escancarados poderia acionar os piores medos. Mas, estavam tão bem vestidos os rapazes-caveiras, que o que poderia ser filme B virou moda de qualidade. Falar de cinema vale porque a plataforma de partida desta coleção foi o Sétimo Selo, do Bergman, filme belo e sombrio de 1956. Aquele em que a Morte joga um jogo de resultado previsível com o personagem interpretado pelo Max Von Sydow. Melhor ainda é falar de alfaiataria, este champagne da costura. No caso, muito bem servido pelo estilista. Estavam lá todas as pequenas, grandes e sempre decisivas invenções na modelagem que o Alexandre sabe fazer. Imagens: divulgação SPFW

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Rosa Chá por Herchcovitch na SPFW

Assinatura inconfundível do Alexandre Herchcovitch na Rosa Chá, capaz de distanciar a coleção da moda praia e ainda assim colocá-la em um lugar, se não seguro, possível e desafiador. A renda preta sobre as estruturas rosadas, algo entre lingerie e roupa de mergulho, eleva o teor fetichista deste projeto. De um jeito particular, é verdade, mais inclinado a um erotismo refinado e perverso que à abundância carnal do verão tropical. Mas as garotas pareciam provocantes, apagando os agouros de quem não espera do estilista sensualidade à altura do que a moda praia exige. Bem, nem se trata mais disso, não é? De moda praia? Imagens: divulgação SPFW.

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Glória Coelho na SPFW

A Gloria Coelho cita um aquecedor solar e um carro como fonte de referência. Faz deles um assunto e é com muita elasticidade que chega ao discurso sobre sustentabilidade ambiental, relacionando os dois produtos de empresas apoiadoras a tecnologias limpas. A física quântica também é mencionada. Assim como arquitetura e fractais. De tudo isso ela mimetiza formas alinhadas com seu universo futurista costumeiro e reitera a opção por não depender da gravidade, em coleção onde pouco explora caimentos, e gosta mesmo é de dar sustentação. Mesmo sob efeito de um elemento onde não há estrutura, que são as plumas curtas, esta roupa levita. Imagens: divulgação SPFW

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